terça-feira, 30 de setembro de 2014

HISTÓRIA E MEMÓRIA NA RECONSTRUÇÃO HISTORIOGRÁFICA DA EXTENSÃO NA UFMA

Como formas de percepção do passado que se busca reconstruir, memória e história podem ser considerados conceitos mutuamente permeáveis, embora não intercambiáveis. A “memória tem uma relação direta, afetiva com o passado, visto que ela é, antes de tudo, memória individual, lembrança pessoal de acontecimentos vividos (...) A memória é terrivelmente seletiva e se concentra sobre alguns fatos. (...) sabe também transformar, consciente ou inconscientemente, o passado em função do presente...' (JOUTARD, 1992, 205). Assim, pode ser entendida como “a capacidade de relacionar um evento atual com um evento passado do mesmo tipo, portanto como uma capacidade de evocar o passado através do presente” (JAPIASSÚ, 1996, 178).
Já a história “instaura uma distância; na grande maioria dos casos, o historiador não viveu o passado que descreve, a ligação afetiva e pessoal não é espontânea, mesmo que o assunto estudado pelo historiador tenha alguma relação com sua própria história. Mas, sobretudo, sua atitude em relação ao estudo o obriga a adotar um distanciamento (...) deve combater o esquecimento e não pode se permitir negligenciar os fatos importantes, mesmo se ele os hierarquiza e os classifica. Ele deve utilizar todas as fontes” (JOUTARD, 1992, 205). Nesta perspectiva, ressalta-se que a história é sustentada por métodos e pela preocupação com as fontes, consistindo numa reconstrução científica do passado que procura distanciar-se deste em função da fidelidade da própria reconstrução que realiza. A memória, por sua vez, mais subjetiva, percebe o passado a partir de uma perspectiva do presente, por isso mais aberta à “influência” da subjetividade, à seletividade de quem evoca o passado. Pode neste caso ser entendida ainda como “propriedade de conservar certas informações” passadas, atualizando-as psiquicamente; como produção de um determinado contexto, passa a ser também memória social, “um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e da história” (LE GOFF, 2004), ou seja, constitui-se num modo particular de olhar também o presente.
Na tentativa de reconstrução histórica da extensão no percurso das atividades do Projeto História e Memória da Extensão na UFMA, essas duas formas de apreender o passado - memória e história - são importantes e complementares, o que pode ser evidenciado, sobretudo, pelo cuidado com a utilização das fontes, pelo relativo distanciamento aplicado a estas, pelo tratamento concedido aos dados coletados, assim como, de outro lado, pela experiência de “ouvir”, durante as entrevistas, os atores do passado recente da extensão, e perceber que seus cujos “olhares” permeiam este passado não apenas de individualidade, mas de uma carga social do presente.