HISTÓRIA E MEMÓRIA NA
RECONSTRUÇÃO HISTORIOGRÁFICA DA EXTENSÃO NA UFMA
Como formas de percepção do
passado que se busca reconstruir, memória e história podem ser
considerados conceitos mutuamente permeáveis, embora não intercambiáveis. A
“memória tem uma relação direta, afetiva com o passado, visto que ela é, antes
de tudo, memória individual, lembrança pessoal de acontecimentos vividos (...)
A memória é terrivelmente seletiva e se concentra sobre alguns fatos. (...)
sabe também transformar, consciente ou inconscientemente, o passado em função
do presente...' (JOUTARD, 1992, 205). Assim, pode ser entendida como “a
capacidade de relacionar um evento atual com um evento passado do mesmo tipo,
portanto como uma capacidade de evocar o passado através do presente”
(JAPIASSÚ, 1996, 178).
Já a história “instaura uma distância; na grande
maioria dos casos, o historiador não viveu o passado que descreve, a ligação
afetiva e pessoal não é espontânea, mesmo que o assunto estudado pelo
historiador tenha alguma relação com sua própria história. Mas, sobretudo, sua
atitude em relação ao estudo o obriga a adotar um distanciamento (...) deve
combater o esquecimento e não pode se permitir negligenciar os fatos
importantes, mesmo se ele os hierarquiza e os classifica. Ele deve utilizar
todas as fontes” (JOUTARD, 1992, 205). Nesta perspectiva, ressalta-se que a
história é sustentada por métodos e pela preocupação com as fontes, consistindo
numa reconstrução científica do passado que procura distanciar-se deste em
função da fidelidade da própria reconstrução que realiza. A memória, por sua
vez, mais subjetiva, percebe o passado a partir de uma perspectiva do presente,
por isso mais aberta à “influência” da subjetividade, à seletividade de quem
evoca o passado. Pode neste caso ser entendida ainda
como “propriedade de conservar certas informações” passadas, atualizando-as
psiquicamente; como produção de um determinado contexto, passa a ser também
memória social, “um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e
da história” (LE GOFF, 2004), ou seja, constitui-se num modo particular de
olhar também o presente.
Na tentativa de reconstrução
histórica da extensão no percurso das atividades do Projeto História e Memória da Extensão na UFMA, essas duas formas de apreender o
passado - memória e história - são importantes e complementares, o que pode ser evidenciado,
sobretudo, pelo cuidado com a utilização das fontes, pelo relativo
distanciamento aplicado a estas, pelo tratamento concedido aos dados coletados,
assim como, de outro lado, pela experiência de “ouvir”, durante as entrevistas,
os atores do passado recente da extensão, e perceber que seus cujos “olhares”
permeiam este passado não apenas de individualidade, mas de uma carga social do
presente.

